Como ser um bom designer?

Ou design for dummies

Pois é, eu sou designer. Um web-designer, mais especificamente. Embora já tenha trabalhado esporadicamente na criação de marcas e logotipos, bem como materiais de divulgação como folders, lâminas e outros impressos, minha experiência maior está na área da criação e desenvolvimento de sites.

Quem trabalha com qualquer tipo de comunicação visual, acaba naturalmente desenvolvendo olhos beeeem críticos a respeito do trabalho alheio. E o trabalho alheio envolvendo comunicação visual é lastimável.

Primeiramente, pelas questões levantadas nestes quatro textos sobre a realidade prática do design. Veja: 1, 2, 3 , 4

Segundamente, porque o trabalho alheio, quase sempre amador, mesmo quando desenvolvido por “profissionais”, é de fato lastimável.

Devo dizer que não considero meus trabalhos superiores. Porém não tenho qualquer restrição aos mesmos, porque sei que sempre, sempre, SEMPRE dei atenção à característica mais básica da comunicação visual:

A LEGIBILIDADE

Se você é amador, nunca estudou design (e nem pretende estudar), mas gosta de fazer uns trabalhinhos amadores aqui e ali, nunca, jamais, em hipótese alguma, esqueça de deixar o seu trabalho LEGÍVEL.

Se você é empresário(a) e está contratando serviços gráficos de design ou publicidade de alguma empresa, ou, que seja, do seu sobrinho que mexe com computador (abra essa mão e contrate um serviço profissional, please) nunca, jamais, em hipótese alguma, esqueça de escolher o resultado mais LEGÍVEL.

O trabalho não é pra você, o trabalho é para os outros entenderem. E como os outros quase sempre estão mais preocupados com os próprios umbigos do que com qualquer outra coisa, é possível que não tenham tempo nem atenção suficiente para perceberem o quanto sua obra-de-arte ficou bonitinha. Por isso repito de novo novamente pra você aprender:

Entre um resultado bonito, e um resultado legível, fique com o resultado legível.

Por quê?

Se você não entendeu ainda o porquê, explico: Mensagens visuais não são enfeites visuais. Uma logomarca, um banner, um cartão de visita não são pra bonito; não são pra enfeitar sua empresa.

SÃO PRA COMUNICAR O QUE SUA EMPRESA ESTÁ FAZENDO NESSE MUNDO!

E para haver uma comunicação eficiente, é bom que a mensagem seja compreendida pelo receptor, que será seu cliente.

Não é difícil.

É só querer :)

O que não fazer

Trago abaixo três exemplos não-sugeridos e um único sugerido, para você compreender bem o que quero dizer.

O que não fazer numa logomarca

O que não fazer numa logomarca

Primeiramente devo dizer que não estou julgando as logomarcas acima como feias ou bonitas, e sim, mais uma vez, se são compreensíveis e portanto, funcionais, ou não.

As duas primeiras são relativamente legíveis, e até apresentam um resultado estético agradável, porém não são compreensíveis. No caso da primeira, acredito que pouquíssimas pessoas sabem que a palavra inglesa Ink quer dizer tinta e que a expressão InkMe quer dizer algo como “Pinte-me”. A ideia é boa, original, autêntica, mas praticamente ninguém vai compreender.  Vale comentar que poucas pessoas sabem sequer um mínimo de inglês de modo que o complemento Tatoo Wear abaixo não será compreendido por ninguém de fora do segmento da moda ou das tatuagens.

A segunda logomarca também é relativamente legível, porém comete o mesmo erro da primeira. Poucas pessoas saberiam dizer o que significa Authentic Clothes. E mesmo que saibam, faltou especificar melhor com qual segmento de vestuário a empresa trabalha.

Utilizar expressões em inglês é um mal do “branding” brasileiro. A alma colonizada do brasileiro mostra-se nesses pequenos detalhes aos quais todos estão acostumados e acham o máximo. Não é! Só é justificável o uso de inglês nos itens de comunicação visual dos produtos quando serão definitivamente exportados. Do contrário, seu público-alvo será o brasileiro mesmo e será melhor e mais lucrativo para você se ele entender o que está comprando. Perceba que grandes empresas brasileiras tem nomes e slogans em português. Não é brega, é inteligente. Brega é ser besta ;)

A terceira logomarca acima realmente é lastimável. Um fundo poluído, prejudicando o contraste do texto em primeiro plano o qual por sua vez necessitou de uma borda branca e um sombra escura para se destacar, o que poluiu ainda mais o trabalho. Uma fonte tipográfica muito popular (staccato ou alguma variação) irregular e dúbia, na qual você não sabe se a primeira letra é um P ou um D. E o pior, o segundo termo de cabeça pra baixo. Definitivamente, essa é a prova de que inventar moda nem sempre é (quase nunca é) um bom negócio quando se está criando uma mensagem visual.

O que fazer

Um bom exemplo

Um bom exemplo

O exemplo acima, que é a logomarca do programa governamental Luz para todos fala por si mesma, não? Ninguém dentro da normalidade cognitiva apresentará qualquer dificuldade de compreensão da mensagem expressada pela peça acima. Pode não ser a mais linda das logomarcas, mas funciona.

Para que o designer experiente não me atire aos leões por estar divulgando heresias aos ouvidos dos gentios, devo dizer ao iniciante ou ao amador que para ser um bom designer, é EVIDENTE que você terá que estudar e aprender muito. Porém esse muito nem sempre pode ser tão efetivo quanto umas poucas e objetivas dicas. Quis com esse texto apenas compartilhar uma delas, a qual pode lançar o seu trabalho na frente de muitos, seja você um designer, seja um empresário contratando os serviços de um designer.

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